15 novembro 2006

Um e apenas um beijo...

Ontem, eu tive uma bela surpresa. Chego eu do estágio, e passo meio que apressado na direção de um caixa eletrônico. Passo pela barraca de salgados, e no banco de praça ao lado eu a vejo. Com aquele mesmo jeitinho tímido, quietinho, doce... Comia um salgado qualquer, entretida com coisa alguma, e quase não me veria. Sorri, surpreso, e contente... Ela havia me visto... Com aquele mesmo sorriso estampado, com aquele mesmo rostinho corado, olhos semicerrados, pele alva e macia... Tenho boas lembranças dela... Ensino médio. Um menino "amarelo", meio CDF, que sentava sozinho num cantinho qualquer da sala. Uma menina, não popular (ainda bem...), meio tímida, uma timidez mais que doce... Alguns a achavam estranha, outros, quieta demais. Eu a achava simplesmente facinante... Principalmente aqueles olhos semicerrados, vivos, expressivos... Perdia-me todo ao olhar aqueles lábios rosados... Aqueles lábios... Aproximando-me aos poucos, faço-me amigo dela. Descubro que ela é bastante meiga... E isso, ao meu ver, a tornava ainda mais facinante... Convido-a para sair qualquer dia desses, e ela concorda. Alguns dias depois, ela me informa a respeito de um show, na extinta Rádio Bazar (puxa vida, ela deve estar lendo e lembrando disso...). Marcamos numa sexta (eu acho), na porta de uma escola vizinha, à tarde. O local do show ficava a alguns quilômetros dali, iriamos andando. Saímos, e fomos descendo ladeiras atrás de ladeiras, até chegar na parte mais baixa da cidade... Depois de alguns minutos (acho que uns vinte), chegamos ao local. Ficamos um pouco do lado de fora, após comprarmos os nossos ingressos. Conhecemos um rapaz, algum tanto mais velho que nós, que nos faz um pouco de companhia. Nos compra uma cerveja, bate um papo conosco por algo mais que meia hora, e depois se vai, em meio àquela multidão. Ficamos ali, mais um tanto... Ora em silêncio, ora admirando o espelho d'água refletindo a luz débil do por do sol... Sol posto, lua se levantando, e entramos. O local já estava repleto de gente. Uma área de esportes radicais, a praça de alimentação, uma exposição de artesanato, e até um show de música espanhola... Mais ao fundo, o palco do show. Um gramado enorme... Ao lado, um parapeito, com um corrimão de ferro, e alguns lugares pra sentarmos. Ali fomos, ali ficamos a espera da música... Era agradabilíssimo estar ao lado dela... Só aqueles olhos e aquele sorriso valeriam a noite inteira... Ela, com os olhos perdidos em meio a tanta gente. Eu, com os olhos perdidos em meio a tanta candura... Às vezes nossos olhares se encontravam, e eu, ainda débil, apenas olhava. Por quantas e quantas vezes aquela boca pediu um beijo? Aqueles olhos diziam algo tácito... Estaria eu imaginando coisas? Preferi não arriscar (é, um débil mesmo)... O show começara, e lá fomos nós. Márcio Mello, um show de rock então... Eu não sabia que ela gostava... Dançamos muito, ela pulava, se divertia como eu nunca a tinha visto antes. Eu, ainda apreensivo, olhava por todos os lados, com medo de algum espertinho levar minha carteira, a bolsa dela, coisas daquele menino "amarelo" de 4 anos atrás. Fui relaxando aos poucos, abracei-a um tanto. Volta e meia, ela virava o rosto em minha direção, com aquele mesmo olhar... Ainda dizendo algo tácito. E o débil aqui, ainda pensando: "Será"? Decidi que da próxima vez não pensaria. as duas latinhas de cerveja faziam efeito, enfim. Só assim eu relaxaria... Mais uma viradinha de rosto e, mais uma vez, aquele olhar. Coração palpitante, e, enfim, borboletinhas no estômago. Não, meus caros, eu não arrotei. Abri os olhos por um instante, e me vi provando do beijo que eu havia cobiçado há meses... Não conseguiria descrever o sabor daquilo, mas com certeza nem a minha mãe, cozinheira de não cheia, conseguiria reproduzir aquilo com quitites quaisquer que fosse... O show do Marcio Mello havia acabado. A banda Pato Fú se preparava pra entrar em cena... Minha boca parecia estar anestesiada... Que beijo foi aquele? Aquela menina existe mesmo, ou estou eu dormindo, e quase acordando, pra variar? Estranho, uma voz doce me chamava, eu sabia que estava sonhando... "Soriano? Tá tarde, vamo embora?" Como assim? Não era a minha mãe me acordando? Ainda não eram 5:15 da manhã? Bem, ela não me chama de "Soriano". Nem o resto do colégio. Mas o fato é que já eram 22h e tantos minutos, e como menores de idade que éramos, deveriamos estar mesmo a caminho de casa. E lá fomos nós, caminhando tarde da noite, em ruas desertas, passando por mendigos e viaturas policiais, carros estacionados e lojas fechadas. E eu não conseguia parar de pensar no beijo... Tentaria, ainda naquela noite, repetir a dose mais algumas vezes, mas seria repelido viementemente. No dia seguinte, ou em alguns dias após, eu ouviria algum burburinho, ela entre as amigas, provavelmente chorando. Teria ela namorado? Ou eu entendi aquela conversa mal ouvida, e aquela noite, de um jeito totalmente equivocado? O que sei é que um gostinho de quero mais ficou guardado, até Deus sabe quando...
...
Eu não a via há alguns meses, e sempre que nos víamos, era um com pressa, outro atarantado com as coisas da faculdade... Estava ainda mais encantadora do que antes... Com a pele ainda mais macia, corada, reluzente... Com o olhar ainda mais doce, cândido... Conversamos, trocamos telefones, e-mail, Orkut... Despedimo-nos com um abraço, e um beijo (só um beijo) no rosto. Lá se foi ela, pra aula. Aqui fiquei eu, na fila do caixa. Ainda com o gostinho daquele beijo na boca...

10 novembro 2006

Abraço de corpo ou de alma?

Tenha cuidado ao ler este texto. Ainda não tenho a certeza de que ele possui argumentos imparciais o bastante, pois o intuito dele não é o de expressar opiniões, e sim de expor idéias alheias e comumente aceitas por um grande número de pessoas. Caso existam discordâncias, comentem! Texto em contínua manutenção.
Mais um dilema conceitual, envolvendo mais do que simples palavrinhas bem formadas, recortadas de um jornaleco qualquer. A questão é: o que nós entendemos por um abraço? É, isso mesmo, o que é um abraço. Por incrível que pareça, muita gente pensa diferente a respeito disso, e é por isso que eu resolvi escrever um pouco, com base nesses diferentes pontos de vista. Caminhando pelo lado um pouco exotérico, algumas pessoas acreditam (incluindo a mim, em parte) que exista uma certa aura de energia, um certo campo magnético envolto em cada um de nós. Também podemos encarar isso como os efeitos do "fluido vital" sobre nós... Essas pessoas simpatizam (ainda que inconscientemente) ou conhecem um pouco da doutrina espírita de Alan Kardec. A energia que esse campo/aura passa para as pessoas ao nosso redor depende do estado de espírito atual de cada um. De fato, quando estamos ou percebemos alguém triste, algo estranho soa no ar, da mesma forma que o ambiente melhora quando alguém de extremo bom humor nos cerca. Alguns falam em alguns sentimentos básicos, notoriamente irradiados através desse tipo de meio: desejo, paixão, solidão, medo, inveja, ódio, indiferença... Tais estados de espírito podem ser captados quando tocamos ou nos aproximamos de alguém. Alguns podem se sentir bem ou mal, com qualquer um desses estados de espírito (próprio ou vindo de outrém) em situações/contextos diversos. Quando a energia passada pelo toque nos agrada, o corpo relaxa, a mente se desprende, é como se a nossa própria energia se renovasse. Ao contrário, quando a energia passada pelo toque não nos agrada, o corpo fica tenso, a mente se estressa, quase como o que acontece quando levamos um choque. Abordando o lado social (antropológico?), expressões de carinho e as sensações que elas provocam dependem do contexto em que elas se aplicam. Um abraço no nosso aniversário provoca sensações diferentes de um abraço durante um enterro de alguém próximo, ou um simples abraço, fora de qualquer contexto. Existem pessoas que repudiam expressões de carinho constantes, e outras que necessitam delas, como uma dose diária de cafeína ou nicotina. Sentimos sensações diferentes em contextos diferentes, com expressões de carinho vindas das mesmas pessoas ou de pessoas diversas, feitas ou não da mesma forma. Como exemplo, tomemos o enterro de um ente querido. Sentimo-nos confortados quando recebemos um abraço, ou qualquer outra forma de carinho, de alguém próximo, como um amigo ou um parente. Talvez não nos sintamos da mesma forma quando um colega de trabalho do falecido nos cumprimenta, mesmo que este colega seja intimamente relacionado com aquele que se foi. Pessoas diferentes, expressões iguais. Agora se imagine passando o dia com o seu amor. Vocês passeiam numa praça arborizada, cheia de criancinhas brincando na grama, logo ali na beira do lago. Há um banco de praça, e vocês sentam ali, juntinhos, abraçadinhos. Há romantismo, há inocência. Chega a noite, vocês vão a uma balada, e depois de algumas horas de bebida e música alta, vocês resolvem se recolher. Um quarto, uma cama, quatro paredes. E então, um abraço. Há sedução, há prazer... Pessoas iguais, expressões diferentes. Caminhando agora pelo lado mais "técnico", expressões de carinho são feitas de modos diferentes. Um abraço fraternal é tecnicamente diferente de um abraço amoroso. Repousar a mão sobre o ombro, apenas pondo um pouco do peso dela, e completamente diferente de colocar a mesma mão sobre o mesmo ombro, massageando-o com a ponta dos dedos, apertando-o suavemente com a palma da mão. Da mesma forma, segurar levemente a cintura de alguém quando pedimos licença é diferente de segurar a cintura de alguém, pressionando-a ritmadamente com a ponta dos dedos, esfregando-a suavemente com a palma das mãos. Pensando agora pela face interpretativa da questão, pessoas interpretam uma forma/expressão de carinho de modos diferentes. Fazem essa interpretação com base em fatos e papos anteriores, características apreendidas de si mesmas e da pessoa que se expressa, conclusões próprias tiradas de tudo isso e as intenções inferidas da pessoa que se expressa. Percebe-se algo diferente a partir do tom de voz, do jeito de olhar, da expressão facial e da intensidade do toque de quem se expressa. E agora? Como saber de que forma cada um pensa a respeito de expressões de carinho? Respondam-me vocês, caros leitores (se é que alguém realmente lê o que eu escrevo). Concordo em parte com cada uma das abordagens acima. Acredito que nenhuma isoladamente contemple tudo o que expressões de carinho simbolizam, na nossa sociedade. E acho que possam existir outras abordagens que complementem as que descrevi, e ainda assim essa questão nunca vai estar completamente respondida, devido à sua própria subjetividade. Acho que se eu tentasse resolver isso implementando o problema com lógica difusa, nunca acharia as variáveis corretas (mero vício de cientista)... E mesmo que eu procurasse um filósofo, um antropólogo e/ou um psicólogo (eu não sou maluco!) para debater a questão, sairia mais confuso do que eu estou agora... Veja também: Alan Kardec - Esboço de Biografia Alan Kardec - Versão Wikipedia Espiritismo - Wikipedia Medicina Espiritual - Isto É Manifestações de carinho Lógica difusa - Wikipédia Magnetismo Animal - Wikipedia Apenas por curiosidade: Principio da Imparcialidade - Wikipedia

06 novembro 2006

Política de Privacidade

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05 novembro 2006

Chorando com os pés

Fazia tempo que eu não precisava disso... E graças a Deus eu ainda não preciso (por quanto tempo?). Mas é engraçado o quão aliviados nos sentimos depois de algumas horas de "choro". Colocamos quase tudo pra fora, é como se fosse um paleativo, que dura por um bom tempo... Mas por que chorar com os pés? Bem, pés não tem olhos, logo, eles não choram, certo? Vocês viriam com uma historinha boba qualquer, dizendo que pés choram sim, basta eu tomar um belo pisão, ou uma topada maravilhosa... Lágrimas a perder de vista, estrelas e tudo mais. Não, não estou falando disso. Nem daqueles calos bem criados, com TV, serviço de quarto, colchão d'água e tudo mais. Nem frieiras, as mais assustadoras possíveis... Eu falo de caminhar. Caminhar muito, numa praça bem arborizada, ou na costa marítima... O barulho da brisa tocando as folhas, ou do mar tocando a areia... O toque dessa mesma brisa em nós... Parece que leva tudo o que nos aflige pra bem longe... Os pensamentos se dissipam... Os medos vão embora (ao menos por um bom tempo). Vemos o por do sol ao longe, as nuvens alaranjadas, a brisa ficando cada vez mais fria... As pessoas felizes andando pelas ruas, as estrelas despontando no céu... Caminhando cabisbaixos, vemos que as calçadas são muito mais longas do que antes. E ainda assim continuamos andando, desfrutando de tudo o que nos envolve. Tudo isso nos passa uma energia boa, que nos revigora a cada minuto... Cansamos de tanto andar, e nos sentamos num banco de praça. Pra variar, ele nos oferece uma vista maravilhosa do que quer que seja: parquinho cheio de crianças, das árvores que nos cercam, do mar... Ali sentados continuamos a pensar em tudo o que nos faz sentir bem, ou em absolutamente nada. Podemos estar a sós, ou acompanhados, compartilhando do mais absoluto silêncio. Casais felizes, amigas barulhentas e artistas de rua ainda passam por nós, e, como sempre, nos enchem de um bem estar surpreendente. Incrível como nos tornamos mais detalhistas quando resolvemos observar o que nos cerca, numa dessas paradas. O canto dos pássaros nunca foi tão audível, o mais sutil dos aromas nunca foi tão intenso... E ainda assim nos pegamos distraídos. Não percebemos o quão rápido as horas passam, nem das pessoas que nos esperam, em algum lugar... Ainda assim, continuamos distraídos e atentos, curtindo o transe benéfico que algumas horas de nós mesmos nos proporcionam. Mas a vida continua, e então, nos levantamos, tentando carregar aos trancos e barrancos tudo de bom que esses momentos nos trazem, e vamos pra casa com um sorriso débil nos lábios. Engraçado como a felicidade vaza pelos nossos braços... Rimos à toa no banco do carro, ou com a cabeça recostada no vidro do ônibus, ainda encantados com aquele bebê que sempre caía tentanto correr atrás da bola... Chegamos em casa, tomamos um banho, com cuidado pra não lavar o bom humor e o bem estar, vestimos uma roupa macia, depois um leite quente... E enfim, nossa cama, tão macia e aconchegante quanto um bom abraço...

03 novembro 2006

Ignorando o desespero...

Esses últimos dias foram um pouco barra pesada. Eu tinha dito que iria dar um gelo na tal Cicraninha, e eu acho que fiz isso do pior jeito. Foi duro, e foram os 4 dias mais difíceis da minha vida... É difícil negar ajuda a quem me pede, ainda mais quando eu sinto apreço... A tal Cicraninha tem piorado esses dias. Nenhum dos psicólogos que procura entende, já ouviu falar ou sequer desconfia do que seja TDAH (Transtorno do Défcit de Atenção com Hiperatividade). Tentou se organizar da melhor maneira que pode, criando listas de tarefas, calendários, lembretes virtuais, isonando-se pra concentração absoluta (é piada?), mas nada disso adiantou de muita coisa. Nós, amigos e parentes tentamos ajudar, cada qual do jeito que melhor sabia, mas também não adiantou de muita coisa. Nesse interím, eu percebi que a autoconfianca, auto estima, otimismo e tantas outras boas qualidades dela estavam se apagando, ou ao menos se escondendo. Tive e ainda tenho medo de que ela entre numa depressão sem volta. Quarta-feira, 1 de outubro de 2006. Eu, aqui neste mesmo laboratório da faculdade, vejo uma aba a mais no Gaim (outro mensageiro instantâneo, afinal, a Microsoft nao reina sozinha). A tal aba tinha letras garrafais no título, em vermelho. Sabia que era ela, afinal, aquele nickname era particularmente único. Resolvi dar só uma olhadinha. "Socorro, socorro, socorro", trocentas vezes seguidas. Sabia que era para me chamar a atenção, e por isso, mudei novamente de aba, continuando a conversa com a pessoa "interessante" que me falava desde outrora. Mais uma olhadinha, e o flood de "socorro" tinha parado. Um Control + L e a aba estava limpa de novo. E lá vamos nós de novo para a outra aba... Novamente, aquela aba estava com o título em vermelho. Mais uma olhadinha, e ao invés daquela enchurrada de pedidos de socorro, um papo diferente. Como eu estava dando um gelo nela, nem sequer li a primeira linha do que ela estava escrevendo, e dali em diante não daria mais atenção a ela. Talvez esse fosse o maior erro do dia, ou dos últimos 5 meses, mas eu não voltaria atrás. Continuei aquela conversa interessante que tanto me entretinha, e antes de sair do computador, respondi em "off" (ela estava off-line) que, talvez, outra hora a gente conversaria. Dali a duas horas, três mensagens desesperadas no celular. Sabia que a coisa era feia, pois ela não se desespera a toa. Indo pra casa, liguei do celular para a casa dela, e primeiro a mãe me diz que ela havia brigado com o namorado. Assustado, pedi que a chamasse. Assim que chegou, pedi número de celular, telefone e contato de mensageiro eletrônico dele, quase ordenando para que ela me esperasse, que após a meia noite a nós conversaríamos. Acabou pegando no sono, e só nos falaríamos pela manhã... Até lá, mais conversa interessante com as paulistas do Orkut... Dez e meia da manhã de quinta feira. No Rwindows lá de casa, uma notificação especial, com direito a sons e cores diferentes aparece em cima do Rindows Live (quase morrendo) Messenger. Era ela, a Cicraninha. Cumprimentou-me com um "bom dia", um pouco seco demais para ela. Havia acabado de acordar. Disse que não poderíamos conversar naquela hora, pos se ela não podia mudar o que a despedaçava por dentro, tentaria arrumar o que se quebrou por fora. Ainda assustado com a idéia dela ter brigado com o namorado, perguntei se ela iria sair, para vê-lo. Disse que não iria sair, pois teria que terminar um trabalho. Insisti para que conversássemos, e então, a casa começaria a cair... Ela se sentia inútil, dependente demais, atordoada, incapaz de fazer qualquer coisa sozinha, desde salvar um simples arquivo até escrever um relatório extenso. Sua falta de atenção já era notória, prejudicava-a no trabalho e na faculdade. O dever atropelava o lazer, e a falta de lazer atropelava o dever. Coisas da TDAH. Disse-me que realmente precisava de mim quando me chamou, e eu, firme no meu propósito, disse que eu tinha que ignorá-la, para que ela visse o que acontece quando todos perdem a fé naqueles a quem se propõem a ajudar. Ela me pareceu ter entendido. Realmente precisava de carinho, mas carinho de amigo, afeição, pois não era fácil aguentar, frágil como estava, toda a pressão a que era submetida. Entretanto, como eu, carente de toda e qualquer espécie de carinho, desde fraternal ao amoroso, poderia separar as coisas da melhor maneira possível? Ainda tentando criar uma semente de auto estima naquele rosto, fiz quatro perguntas básicas, que aliás, acho que todos nós deveríamos nos perguntar...
  1. O que eu faço pra me ajudar..
  2. O que eu faço pra ajudar as pessoas que desejam me ajudar
  3. O que eu espero das pessoas ao meu redor
  4. O que eu acho que as pessoas ao meu redor esperam de mim
Tive uma surpresa boa quando vi que ela sabia responder a essas perguntas, ou, pelo menos a maioria delas. Mas eu senti que ela se sente um tanto acuada, por achar que eu espero muita coisa dela. "Equilíbrio, disponibilidade e responsabilidade". Senti que nada do que fizéssemos a ajudaria, a não ser perguntá-la a respeito do que precisaria. "Você pergunta, mas não me dá tempo pra responder", disse ela. Eu sei, sou mesmo ansioso. Nem o meu bom humor um tanto escrachado, nem as minhas pirações, nem mesmo as gozações de mim mesmo a fariam sorrir de novo, no estado em que se encontrava. Senti um silencio perturbador do outro lado do PC: ela estava mesmo chorando... Sozinha naquele quarto, mesmo com a mãe e a irmã a alguns metros. A mãe que só brigava com ela, a irmã que a compreendia, mas não sabia (e nem tinha voz ativa) para a ajudar. O namorado carente de atenção, embora compreensivo, companheiro e prestativo, também não a conseguia ajudar (assim eu percebi), pois o problema era ainda mais grave... Estaria ela a caminho de uma depressão? O que eu sei, é que todos nós precisamos observá-la mais, notar seus traquejos diferentes, pois algo está muito errado na minha mais nova irmãzinha. Só espero que eu consiga te ajudar, maninha...

31 outubro 2006

Reflexões - Parte 4 - Amizades

Sei que sou uma pessoa de personalidade um tanto difícil. Às vezes eu tomo atitudes que surpreendem a todos, aparentemente sem motivo aparente. Eu sou assim, uma pessoa um tanto estranha, com uma linha de raciocínio diferente, um tanto reservado, que tem lá as suas manias e defeitos... Mas as poucas amizades que tenho, eu as cultivo como posso até o resto da vida (ou qualquer momento mais à frente)... Tenho me perguntado o porque de tão poucos amigos. Decididamente, eu não me dou bem com qualquer um. Para uma pessoa receber o título de amigo, de minha parte, demora, e muito. Não costumo ter amizades com homens, mas eu ainda preservo algumas. Por ser um tanto senvível, romântico e instável sentimentalmente falando, presumo que o machismo inerentemente atrelado aos homens da nossa sociedade me impeça de ser sincero. Prefiro as mulheres (como algumas delas também prefere os homens às suas semelhantes). Julgo-as mais sensíveis, e boas "espiãs". Brincadeiras à parte, quem me conhece (quem?) sabe que sou mais de ouvir do que de falar. Falo somente quando acho que devo, quando alguém me expõe suas opiniões. Em questão de sentimentos, não costumo dar conselhos. Acredito que conselhos são a forma mais rápida de se poluir a mente de uma pessoa com opiniões unilaterais ou desviadas do contexto. Conselhos são normalmente precedidos de um "eu, se fosse você", o que justifica a minha teoria. Costumo sim expor pontos de vista. No mínimo dois. Tento sim argumentar logicamente, pra tentar abrir a mente (viva ao Alan L. Tharp!) das pessoas que me pedem. Faço errado? Mas ainda assim, eu me pergunto: O que nós fazemos por amizade? Seríamos nós capazes de pedermos uma amizade de anos em prol da pessoa a quem confidenciamos segredos, tristesas e alegrias? Pois é. A peleja é longa, e vou tentar resumir o começo. Na verdade, tudo se resume a quatro letras: TDAH, Transtorno do Défcit de Atenção com Hiperatividade. E isso afeta a concentração (como o nome já diz), a produtividade, a priorização de atividades e o escambal.
...
Ontem foi um dia daqueles. Lá vamos nós (na verdade, eu) fazermos a tal prova dos pesadelos de todos nós, a maldita prova de Sistemas Operacionais. Como disse o meu segundo ídolo, Gilmar, "foram seis verdadeiras dissertações". Acabei minha prova, e senti falta de alguém. Olhei a sala toda, e nada. Saio eu lá de dentro (lá ele!) e pergunto a todo mundo que acho pela frente: "vocês viram Cicraninha?". A resposta era monossilábica: "não". Eram oito capítulos de um livro extenso a se estudar, e a pessoa a quem eu procurava teria que fazê-lo em mais ou menos 3 dias (o que a maioria levou uma ou duas semanas). Vou à minha casa, feliz por não ter tido aula de Redes (oh professorzinho...), chego em casa, ligo o PC e começo a estudar justamente essa matéria, da qual teria prova dali a 2 dias. Chega a meia noite, e ligo o meu PC, esperando encontrar uma bela mulher para um papo, digamos "interessante". Mas a pessoa que eu esperava não estava on-line, e sim a Cicraninha. Pergunto eu "como foi de prova", e recebo (lá ele) a mesma pergunta, como eco. Acabo descobrindo que não foi fazer a prova. Eu nunca saí do sério tão fácil como saí ontem. Não admitiria que ela fugisse às suas responsabilidades daquela maneira. Acabei chamando-lhe de covarde, e de tantas outras coisas que, talvez, precisasse chamar. Cicraninha me disse que havia passado mal, que foi pra casa do namorado, esperar para que melhorasse e pudesse ir pra casa (um pouco mais longe), ou, talvez, matar um pouco do tempo pra que não chegasse cedo demais em casa (a mãe suspeitaria). Mesmo assim, ouviu tudo calada. E eu ali, espumando de raiva. Ela me implorou pra que eu não contasse nada à mãe dela, e eu, como sempre, disse que não contaria nada que ela me pedisse pra não contar. Mas que eu vou fazer coisa ior, ah, vou sim. Pra mim chega. Não sei mais com ajudar. Talvez um dos piores tratamentos de choque resolva: indiferença. Nunca aji assim com um amigo, mas essa vai ser a primeira vez. E esta não vai ser mais uma idéia que passa na minha cabeça. Vai ser o meu último recurso. Se eu perder essa amizade, que seja em prol de algo maior... P.S.: Prometo que vou passar um bom tempo sem escrever reflexões como esta, estou quase me sentindo como o bom e velho Soriano de sempre... Veja também: TDAH - Transtorno do Défcit de Atenção com Hiperatividade

28 outubro 2006

Eita Globo...

Depois dessa... Eu paro mesmo de assistir tv... Talvez aluge mais filmes na locadora, ou baixe mais alguns filmes pornográficos (ou não) da net...

05 outubro 2006

Reflexões-Part 3-Perfeccionismo

Sou uma pessoa comum, como todas as outras. Quantos de vocês já ouviram isso? Pois é. Eu também. Mas eu não me lembro de quantas vezes eu disse isso, ou mesmo se o disse alguma vez. Acredito que todos tenham lá as suas peculiaridades, e, neste caso, o senso de "comum", "normal", e tantos outros não se aplicariam. Mas por que eu toquei nesse assunto? Mais uma vez, reflexões, por Leandro Soriano... Desde pequeno (e lá vamos nós de novo) eu tenho sido educado a dar (ops...) o melhor de mim (ufa!) em tudo o que eu fizesse. "Estudo é a única coisa que não pode ser tirada de você, e que se leva consigo depois que se for". Tomei isso pra mim como modo de vida. Tenho tentado ser esforçado, aplicado, na medida que a paciência (pouca, é verdade), a força de vontade, o ânimo (que ultimamente tem sido pouco) e os meus objetivos (fixos, até que eu os alcance) me incentivam. E isso dava tão certo que decidi, inconscientemente, expandir isso a outras áreas, como relacionamento interpessoal. Talvez eu me arrependa disso no futuro... As coisas nunca foram fáceis pra mim. Até certo ponto, isso é bom, porque nos faz valorizar todas as nossas conquistas, fruto do nosso trabalho árduo e esforço. Lembro-me até hoje do primeiro computador que ganhei, depois que todos já o tinham, e só porque o meu pai fora despedido (depois das férias, o FGTS é a melhor coisa que consta na CLT). E do segundo e atual, deopis de ter economizado cada centavo de sete meses de bolsa auxílio (R$250,00 naquela época) para dar como entrada (R$1300,00, foi o que consegui juntar). Já conversei, e muito, sobre a maneira das pessoas verem as coisas, das que já nasceram em "berço de ouro", como se costuma dizer, e das que, como eu, caminham de pés descalços. Extraí coisas boas de ambas as mentes, e isso só me fez reforçar a teoria de que eu devo sim tentar ser o melhor que posso, como profissional, como homem, como marido, como pai... Mas a pergunta que fica é: como sabemos que estamos seguindo a trilha certa? Deparei-me com uma situação um tanto desagradável nas últimas semanas. Até pouco tempo, participava de uma lista de discussão, de uma turma de universitários da qual eu fazia e ainda faço parte. Entramos juntos, no primeiro semestre de 2003. Duas ou três mulheres na turma, como em todo curso de Ciência da Computação, além de agnósticos, evangélicos, negros, brancos, pobres e "favorecidos", por assim dizer. Na minha ânsia de me livrar de vez da timidez que me acomete, brinquei e muito nessa lista. Já fiz muitas gozações, de mim mesmo e dos outros, me contendo quando pude. Até que me vi passando dos limites. "Sorinha, já está na hora de parar com isso". Quem me conhece (quem?) sabe que eu definitivamente detesto ser chamado à atenção. "Oxente, que besteira", diriam vocês. Eu vou explicar. Seres humanos cometem erros, e todos nós sabemos disso. Mas os ditos perfeccionistas não querem, e não podem errar. Deste modo, eu não o sou de todo. "Errar é humano, permanecer no erro é burrice". Também já ouvi isso muitas vezes. E como todo ditado popular tem um fundo de verdade, também o adotei como modo de vida. Eu tento, mas nem sempre consigo não errar. E sendo assim, quando o erro continua, a frustração se ostenta, quase com o olhar de execução sumária de quem diz "você não é capaz"... Ser chamado à atenção por uma característica intrínseca à sua personalidade, ainda que esta característica esteja inflada ou chargeada, não é nada agradável. É como se um defeito (que talvez nem o seja) se tornasse um vírus, e nos contaminasse a mente por completo. Eu, que vivo formulando teorias a respeito de tudo e de todos, fiz uma pergunta a mim mesmo, e discretamente (como sempre, ao extremo) a todos. Quando pedimos por socorro, alguém responde? Vi, da pior forma, que nem sempre. Quando digo socorro, falo pelo que já tinha ecsrito antes, os dos textos anteriores desta tal reflexão... E isso me fez desistir de muitas teorias, como aquela de tentar agradar ao maior número de pessoas que puder, já que a todos é impossível. Tomei, por cautela, a decisão de sair (temporariamente ou não) da lista de discução à qual me referi inicialmente, e iniciar essa série de reflexões. Talvez eu tenha me precipitado, mas eu prefiro tomar um tempo pra mim. Veja também: Conceito de Agnosticismo

03 outubro 2006

Reflexões - Parte 2 - Solidão

Alguém já se perguntou qual o real significado dessa palavra? É. Nem eu. A gente nunca sabe o significado correto dessa palavra. Cada um tem um para si, de acordo com seus próprios sentimentos. Muita gente confunde (ou atribui) à solidão timidez, comportamento anti-social, ermitismo ou carência. Eu, ultimamente, tenho me encaixado no último e no primeiro caso. Por quê? Acho que vocês já sabem... Bem, posso começar do início, mas não sei se teriam paciência para ler algumas (várias) páginas a respeito. O fato é que desde alguma época remota da minha vida, algo em torno dos meus onze ou doze anos, eu resolvi me fechar. Eu tinha colegas falsos de sala de aula, como todos nós tivemos e/ou temos, mas o fato é que além de não reconhecerem o meu esforço nos trabalhos em grupo, não agradeciam pelas colas que passavam, e mal falavam comigo quando o período de provas terminava, além das famosas brincadeiras de mau gosto com os ditos CDF's (cabeças de ferro, por assim dizer). Oitava série do Ensino Fundamental quase concluída, e eu tinha que resolver o que fazer da vida. Era ir para um colégio dito religioso (o Colégio Adventista), ou passar no exame de seleção para o CEFET-BA (CEntro Federal de Educação Tecnológica da BAhia). Fiquei com a segunda opção. Despreocupei-me com essa história de passar ou não cola nos dias de prova, porque eu sabia que o fato das pessoas que as pediam (ou a maioria delas) não me cumprimentarem nos corredores não mudaria. E aí começa a fase dita anti-social da minha vida... Apenas uma calça. Ao terceiro ano do Ensino Médio, ela já estava rasgada no joelho, na coxa, nos bolsos de trás e nos tornozelos. Apenas uma blusa. E no final do mesmo período, transparente de tão usada. Óculos, aparelho odontológico nos dentes. Manias estranhas como ver fotos de cadáveres, etc. "Whisky, o whiskysito", era como me chamavam. Considero essa como uma boa época da minha vida, uma época despreocupada, "zen". Eu pensava muito a respeito das coisas, mas, inconscientemente, eu fui me isolando. Tanto, que cheguei ao ponto de ser chamado à coordenação do colégio. Meus próprios colegas o haviam sugerido. Dei qualquer desculpa, e voltei contrariado à sala de aula. Senti-me invadido. Tudo porque eu pedia (constantemente, é verdade) silêncio na classe (já que eu sentava ao fundo, e todas as outras pessoas quase no colo dos professores, eu mal os conseguia ouvir). Fiz apenas dois ou três amigos pra vida toda, mas ainda assim conheci pessoas interessantes. Vestibular chegando, e eu mal sabia se iria passar na UFBA (onde estou hoje), ou se iria para um colégio militar (repetir o terceiro ano na ESPCEx, ir para a Academia das Agulhas Negras e depois de quatro a cinco anos, sair de lá como tenente com um salário de R$2000,00, ou algo próximo). O fato é que estou aqui. E, novamente, passei por mudanças. Deixei de ser uma pessoa tão fechada, mas acho que não deixei de ser tão ou mais esquisito do que antes. E, finalmente, acho que cabe a pergunta. Algum de vocês percebeu que eu sou tímido? Bem, alguns diriam "que nada!", outros "um pouco, talvez". "Maybe surrounded by a million people I stay feel all alone", como diz Michael Bublé em Home... Recebo poucos abraços durante um ano inteiro. Posso até contá-los nos dedos. Três, no dia 30 de julho de cada ano, e mais três, ao dia 1 de janeiro. Quantos eu dou? Deixe-me ver... Um ao dia 8 de janeiro, mais outro ao dia 9 de junho, e o último dia 20 de julho, sem contar o dia dos pais e das mães. É fácil demonstrar (eita mania...) que sou necessitado de carinho. Isso até mesmo das namoradas (poucas, talvez somente uma) que eu tive, já que eu somente às via final de semana (estudo era e ainda é prioridade). Das amigas, também muito poucas, quase todas enamoradas, o fato de assim estarem criam um receio inerente de que os ciumes de seus "quase conjuges" as prejudique, e eu não lhes tiro a razão. Não sei diferenciar carinho de amigo de carinho de amor, já que não tive tempo, nem oportunidade para isso. Já tive problemas com isso, e graves. "Não gosto de homem grudento", é o que se costuma ouvir por aí. Como eu sempre digo ser muito carinhoso, talvez o meu melhor seja o meu pior para algumas delas... As pessoas lidam com as coisas das mais diversas maneiras. De uns tempos pra cá, eu tinha adotado a face brincalhona da minha personalidade, para tentar ocultar (ou substituir) algo que me fazia falta. Ao escrever timidez, depois de ter lido os textos linkados ao final do mesmo, e ao me propor fazer reflexões a esse respeito, tenho reconhecido de que talvez não seja válido mudar. É, isso mesmo. Não mudar. A timidez me atrapalha, e muito, principalmente quando a minha ansiedade entra em cena (quase sempre). Há pessoas que gostam de mim desse jeito, e outras não. Mas e quanto a mim? Não sei se gosto, não sei se não gosto... Só o tempo pra me dizer a melhor solução. Tomara que a paciência (virtude que eu não tenho, e pagaria se estivesse à venda) me mostre o caminho mais adequado... P.S.: Mais uma frase extraída de leituras técnicas: Edsger W. Dijkstra "Make a conscious effort to learn as much as possible from your previous experiences" "Faça um esforço consciente para aprender tanto quanto possível das suas experiências anteriores"

02 outubro 2006

Reflexões - Parte 1 - Equívocos

É extremamente difícil ser eu mesmo... Eu sei que sou estranho, não precisam me dizer isso. A gente realmente se preocupa em não desagradar as pessoas, e nos privamos de nós mesmos, na maioria das vezes. Decididamente, chega. Não quero mais seguir regras de comportamento, sensos comuns e opiniões deslocadas. Ando tomando muitos sustos, e isso já tá virando psicose. Eu tô quase explodindo... Mesmo com a melhor das intenções, às vezes é desagradável quando somos mal interpretados. Agimos normalmente, e mal sabemos como as pessoas irão reagir, mesmo quando as conhecemos a algum tempo... O contrário também ocorre... Às vezes agimos um tanto diferente (nada ilegal, nada amoral), por razões e problemas diversos, e recaímos na mesma situação. Ficamos atônitos, querendo saber em que erramos, e quase sempre a situação, mesmo depois de esclarecida, é extremamente desagradável. De repente se instaura um medo ("paúra", como dizem os italianos), quase uma fobia de que isso volte a acontecer, e quase sempre volta... Isso não é mais novidade pra mim, visto que já descrevi duas vezes situações como estas por aqui (quem não estiver com preguiça, pode dar uma procurada)... Essa "paúra" normalmente começa (ao menos comigo) com um estado de mal estar intenso, olhar cabisbaixo e poucas palavras. Nunca passei disso. Mas nesses últimos dias, reconheço em mim sintomas diferentes... Quero (mais do que em outras vezes) ficar sozinho, conversar somente o necessário, esquivar-me das pessoas. Prefiro pensar, ou simplesmente não fazer coisa alguma (algo como ficar ouvindo música, navegando na Internet ou assistindo anime). E o pior é que a fome passa quando eu chego em casa... O meu quarto nunca foi tão grande... Isso pode ser extremamente prejudicial, já que tenho provas e trabalhos importantes daqui a algum tempo... Tenho feito amigos virtuais. E o mais engraçado é que até deles eu escuto coisas como "pare de se fazer de coitadinho"... Puta que pariu! Desculpa, não escrevo mais isso... Engraçado, mas já parei pra pensar se isso era mesmo verdade... Às vezes penso que sim, outras penso que não... E quase tudo ligado à falta de carinho (uma história bem mais longa que os meus vinte e um anos de idade). O que eu faço, então??? Já houve uma época em minha vida na qual eu fui um dito anti-social. Com certeza, foi a época mais divertida da minha vida... Eu era a pessoa mais fechada que se conhecia, adorava ver fotos de cadáveres no curso de informática (hoje a repulsa voltou - ainda bem), usava roupas rasgadas, ou finas (quase transparentes) de tão velhas, por pura opção. Adorava tocar Legião urbana (e ainda toco, de vez em quando). Falava muito pouco, e somente com as pessoas que me interessavam. Sentava no fundo da classe, não porque os baderneiros lá estavam (muito pelo contrário, estavam nos flancos), mas por vontade de ficar sozinho. Conheci pessoas interessantes, que aos poucos foram me fazendo ver que era preciso mudar de atitude. Não com argumentos do tipo "você deve" ou "eu, se fosse você, faria"... Mas pura e simplesmente através da convivência. Ah como eu tenho saudades daquela época... Opiniões eram respeitadas, ainda que diferentes, inusitadas, ou completamente fora de contexto. Ficava horas sozinho pensando nas coisas... Eu adorava sair andando do CEFET-BA (bairro do barbalho) até a Praça da Cruz Caída (perto da prefeitura), algo em torno de uns 5 quilômetros. Ver o por do sol lá, ou simplesmente ficar horas olhando para a Baía de Todos os Santos. Com certeza uma vista maravilhosa... Ficava ali, pensando na vida... Era agradável reparar nos mínimos detalhes das pessoas que ali passavam, turistas ou não. Casais felizes, andando de mãos dadas, enamorados; ambulantes apressados, cuidando da sua própria vida; artistas de rua, encantando a todos com suas habilidades. E no meio de todas aquelas pessoas, eu, mais um simples desconhecido. Alguns paravam pra me ouvir cantar (quase sempre levava o violão). Num dia desses, um ficou até cantarolando Love By Grace com a namorada... Eu, sozinho, isolado (tá certo, com um ou dois amigos de verdade), mas com personalidade própria, livre de influências (boas ou más, é verdade), e um tanto menos preocupado com coisas tais como amores. Tão carente quanto hoje, de certo, mas menos preocupado com isso. Nos últimos dias, sinto uma vontade enorme de voltar a ser assim. Mesmo reconhecendo que as mudanças que sofri daqueles dias para os atuais são agradáveis (ao menos a maioria delas)... Pelo menos naquela época eu não corria os riscos que corro hoje, não fazia a mínima questão de agradar. Eu era pura e simplesmente eu... Ainda que me olhassem atravessado, cochichassem pelas minhas costas, ou me isolassem (ou o contrário). Sei que isso é algo radical demais... Prometo que só vou usar isso em último caso (ou não). Que vão praquele lugar se me chamarem de coitadinho de novo, já estou farto disso... E eu que só queria um abraço...