03 outubro 2006

Reflexões - Parte 2 - Solidão

Alguém já se perguntou qual o real significado dessa palavra? É. Nem eu. A gente nunca sabe o significado correto dessa palavra. Cada um tem um para si, de acordo com seus próprios sentimentos. Muita gente confunde (ou atribui) à solidão timidez, comportamento anti-social, ermitismo ou carência. Eu, ultimamente, tenho me encaixado no último e no primeiro caso. Por quê? Acho que vocês já sabem... Bem, posso começar do início, mas não sei se teriam paciência para ler algumas (várias) páginas a respeito. O fato é que desde alguma época remota da minha vida, algo em torno dos meus onze ou doze anos, eu resolvi me fechar. Eu tinha colegas falsos de sala de aula, como todos nós tivemos e/ou temos, mas o fato é que além de não reconhecerem o meu esforço nos trabalhos em grupo, não agradeciam pelas colas que passavam, e mal falavam comigo quando o período de provas terminava, além das famosas brincadeiras de mau gosto com os ditos CDF's (cabeças de ferro, por assim dizer). Oitava série do Ensino Fundamental quase concluída, e eu tinha que resolver o que fazer da vida. Era ir para um colégio dito religioso (o Colégio Adventista), ou passar no exame de seleção para o CEFET-BA (CEntro Federal de Educação Tecnológica da BAhia). Fiquei com a segunda opção. Despreocupei-me com essa história de passar ou não cola nos dias de prova, porque eu sabia que o fato das pessoas que as pediam (ou a maioria delas) não me cumprimentarem nos corredores não mudaria. E aí começa a fase dita anti-social da minha vida... Apenas uma calça. Ao terceiro ano do Ensino Médio, ela já estava rasgada no joelho, na coxa, nos bolsos de trás e nos tornozelos. Apenas uma blusa. E no final do mesmo período, transparente de tão usada. Óculos, aparelho odontológico nos dentes. Manias estranhas como ver fotos de cadáveres, etc. "Whisky, o whiskysito", era como me chamavam. Considero essa como uma boa época da minha vida, uma época despreocupada, "zen". Eu pensava muito a respeito das coisas, mas, inconscientemente, eu fui me isolando. Tanto, que cheguei ao ponto de ser chamado à coordenação do colégio. Meus próprios colegas o haviam sugerido. Dei qualquer desculpa, e voltei contrariado à sala de aula. Senti-me invadido. Tudo porque eu pedia (constantemente, é verdade) silêncio na classe (já que eu sentava ao fundo, e todas as outras pessoas quase no colo dos professores, eu mal os conseguia ouvir). Fiz apenas dois ou três amigos pra vida toda, mas ainda assim conheci pessoas interessantes. Vestibular chegando, e eu mal sabia se iria passar na UFBA (onde estou hoje), ou se iria para um colégio militar (repetir o terceiro ano na ESPCEx, ir para a Academia das Agulhas Negras e depois de quatro a cinco anos, sair de lá como tenente com um salário de R$2000,00, ou algo próximo). O fato é que estou aqui. E, novamente, passei por mudanças. Deixei de ser uma pessoa tão fechada, mas acho que não deixei de ser tão ou mais esquisito do que antes. E, finalmente, acho que cabe a pergunta. Algum de vocês percebeu que eu sou tímido? Bem, alguns diriam "que nada!", outros "um pouco, talvez". "Maybe surrounded by a million people I stay feel all alone", como diz Michael Bublé em Home... Recebo poucos abraços durante um ano inteiro. Posso até contá-los nos dedos. Três, no dia 30 de julho de cada ano, e mais três, ao dia 1 de janeiro. Quantos eu dou? Deixe-me ver... Um ao dia 8 de janeiro, mais outro ao dia 9 de junho, e o último dia 20 de julho, sem contar o dia dos pais e das mães. É fácil demonstrar (eita mania...) que sou necessitado de carinho. Isso até mesmo das namoradas (poucas, talvez somente uma) que eu tive, já que eu somente às via final de semana (estudo era e ainda é prioridade). Das amigas, também muito poucas, quase todas enamoradas, o fato de assim estarem criam um receio inerente de que os ciumes de seus "quase conjuges" as prejudique, e eu não lhes tiro a razão. Não sei diferenciar carinho de amigo de carinho de amor, já que não tive tempo, nem oportunidade para isso. Já tive problemas com isso, e graves. "Não gosto de homem grudento", é o que se costuma ouvir por aí. Como eu sempre digo ser muito carinhoso, talvez o meu melhor seja o meu pior para algumas delas... As pessoas lidam com as coisas das mais diversas maneiras. De uns tempos pra cá, eu tinha adotado a face brincalhona da minha personalidade, para tentar ocultar (ou substituir) algo que me fazia falta. Ao escrever timidez, depois de ter lido os textos linkados ao final do mesmo, e ao me propor fazer reflexões a esse respeito, tenho reconhecido de que talvez não seja válido mudar. É, isso mesmo. Não mudar. A timidez me atrapalha, e muito, principalmente quando a minha ansiedade entra em cena (quase sempre). Há pessoas que gostam de mim desse jeito, e outras não. Mas e quanto a mim? Não sei se gosto, não sei se não gosto... Só o tempo pra me dizer a melhor solução. Tomara que a paciência (virtude que eu não tenho, e pagaria se estivesse à venda) me mostre o caminho mais adequado... P.S.: Mais uma frase extraída de leituras técnicas: Edsger W. Dijkstra "Make a conscious effort to learn as much as possible from your previous experiences" "Faça um esforço consciente para aprender tanto quanto possível das suas experiências anteriores"
Comentários
3 Comentários

3 comments:

A disse...

Não é válido mudar, talvez vc esteja certo. Mas adaptar, e principalmente conviver com vc msm, do jeito q vc é, é q é desafiador.

Bem, mas muito provavelmente vai ser desse desafio q vc vai descobrir o q de melhor há em vc e nesse seu jeito.

Te desejo boa sorte.

Soriano disse...

Digo mudar porque é isso que eu tenho ouvido. E ninguém me escuta quando eu digo que mudanças levam tempo...

Conviver comigo mesmo vai ser um desafio mesmo, me aceitar do jeito que eu sou, com todos os defeitos e qualidades que eu tenho, sendo perfeccionista como sou...

Obrigado, vou mesmo precisar de sorte. Talvez nem de tanta sorte assim, se eu ainda tiver você do meu lado...

Soriano disse...

Hoje eu estava no ônibus dormindo. Acordei, de repente, com alguém me empurrando, tentando abrir a janela, fechada como sempre. Até aí, nada demais. Depois do empurra-empurra, percebi que o meu braço e minha perna direitos tocavam de leve uma moça, bonita, que também dormia ao meu lado.

De repente me bateu uma tristesa... Há quanto eu não sinto textura de pele, que não seja a minha... Fiquei extasiado, não consegui voltar a dormir...

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