02 outubro 2006

Reflexões - Parte 1 - Equívocos

É extremamente difícil ser eu mesmo... Eu sei que sou estranho, não precisam me dizer isso. A gente realmente se preocupa em não desagradar as pessoas, e nos privamos de nós mesmos, na maioria das vezes. Decididamente, chega. Não quero mais seguir regras de comportamento, sensos comuns e opiniões deslocadas. Ando tomando muitos sustos, e isso já tá virando psicose. Eu tô quase explodindo... Mesmo com a melhor das intenções, às vezes é desagradável quando somos mal interpretados. Agimos normalmente, e mal sabemos como as pessoas irão reagir, mesmo quando as conhecemos a algum tempo... O contrário também ocorre... Às vezes agimos um tanto diferente (nada ilegal, nada amoral), por razões e problemas diversos, e recaímos na mesma situação. Ficamos atônitos, querendo saber em que erramos, e quase sempre a situação, mesmo depois de esclarecida, é extremamente desagradável. De repente se instaura um medo ("paúra", como dizem os italianos), quase uma fobia de que isso volte a acontecer, e quase sempre volta... Isso não é mais novidade pra mim, visto que já descrevi duas vezes situações como estas por aqui (quem não estiver com preguiça, pode dar uma procurada)... Essa "paúra" normalmente começa (ao menos comigo) com um estado de mal estar intenso, olhar cabisbaixo e poucas palavras. Nunca passei disso. Mas nesses últimos dias, reconheço em mim sintomas diferentes... Quero (mais do que em outras vezes) ficar sozinho, conversar somente o necessário, esquivar-me das pessoas. Prefiro pensar, ou simplesmente não fazer coisa alguma (algo como ficar ouvindo música, navegando na Internet ou assistindo anime). E o pior é que a fome passa quando eu chego em casa... O meu quarto nunca foi tão grande... Isso pode ser extremamente prejudicial, já que tenho provas e trabalhos importantes daqui a algum tempo... Tenho feito amigos virtuais. E o mais engraçado é que até deles eu escuto coisas como "pare de se fazer de coitadinho"... Puta que pariu! Desculpa, não escrevo mais isso... Engraçado, mas já parei pra pensar se isso era mesmo verdade... Às vezes penso que sim, outras penso que não... E quase tudo ligado à falta de carinho (uma história bem mais longa que os meus vinte e um anos de idade). O que eu faço, então??? Já houve uma época em minha vida na qual eu fui um dito anti-social. Com certeza, foi a época mais divertida da minha vida... Eu era a pessoa mais fechada que se conhecia, adorava ver fotos de cadáveres no curso de informática (hoje a repulsa voltou - ainda bem), usava roupas rasgadas, ou finas (quase transparentes) de tão velhas, por pura opção. Adorava tocar Legião urbana (e ainda toco, de vez em quando). Falava muito pouco, e somente com as pessoas que me interessavam. Sentava no fundo da classe, não porque os baderneiros lá estavam (muito pelo contrário, estavam nos flancos), mas por vontade de ficar sozinho. Conheci pessoas interessantes, que aos poucos foram me fazendo ver que era preciso mudar de atitude. Não com argumentos do tipo "você deve" ou "eu, se fosse você, faria"... Mas pura e simplesmente através da convivência. Ah como eu tenho saudades daquela época... Opiniões eram respeitadas, ainda que diferentes, inusitadas, ou completamente fora de contexto. Ficava horas sozinho pensando nas coisas... Eu adorava sair andando do CEFET-BA (bairro do barbalho) até a Praça da Cruz Caída (perto da prefeitura), algo em torno de uns 5 quilômetros. Ver o por do sol lá, ou simplesmente ficar horas olhando para a Baía de Todos os Santos. Com certeza uma vista maravilhosa... Ficava ali, pensando na vida... Era agradável reparar nos mínimos detalhes das pessoas que ali passavam, turistas ou não. Casais felizes, andando de mãos dadas, enamorados; ambulantes apressados, cuidando da sua própria vida; artistas de rua, encantando a todos com suas habilidades. E no meio de todas aquelas pessoas, eu, mais um simples desconhecido. Alguns paravam pra me ouvir cantar (quase sempre levava o violão). Num dia desses, um ficou até cantarolando Love By Grace com a namorada... Eu, sozinho, isolado (tá certo, com um ou dois amigos de verdade), mas com personalidade própria, livre de influências (boas ou más, é verdade), e um tanto menos preocupado com coisas tais como amores. Tão carente quanto hoje, de certo, mas menos preocupado com isso. Nos últimos dias, sinto uma vontade enorme de voltar a ser assim. Mesmo reconhecendo que as mudanças que sofri daqueles dias para os atuais são agradáveis (ao menos a maioria delas)... Pelo menos naquela época eu não corria os riscos que corro hoje, não fazia a mínima questão de agradar. Eu era pura e simplesmente eu... Ainda que me olhassem atravessado, cochichassem pelas minhas costas, ou me isolassem (ou o contrário). Sei que isso é algo radical demais... Prometo que só vou usar isso em último caso (ou não). Que vão praquele lugar se me chamarem de coitadinho de novo, já estou farto disso... E eu que só queria um abraço...
Comentários
6 Comentários

6 comments:

A disse...

Faz parte do aprendizado árduo de ser mulher (no de ser homem não tem esse módulo) omitir ou esconder certas coisas mais "estranhas" do público em geral...

Pensar antes de falar, observar reações (não somente o q se fala, mas o olhar, a expressão, etc).

Soriano disse...

Nunca quis ou precisei esconder coisas mais "estranhas", como vc disse, das pessoas ao meu redor. Achava que era por isso que elas gostavam de mim... Vejo que estava enganado.

Elas devem gostar de outras coisas em mim. Nunca vou saber ao certo o quê, pois para cada tipo de pessoa, trato-a de forma diferente. Sou um espelho, ou ao menos tento assim ser...

A disse...

Eu comecei a me dar menos mal qdo passei a dar minha opinião apenas qdo perguntada...

E qto as "pessoas ao redor", depende muito do seu referencial. Pq não é com qualquer pessoa ao redor q vc pode fazer o q bem der na telha sem correr o risco de ser mal-interpretado.

Disso vc tem consciência, né? Não vai ser qq pessoa ao redor tbm q vai se preocupar em te ouvir antes de qq pré-julgamento.

Soriano disse...

Não estava falando de opiniões, e sim de atitudes. Trato as pessoas como gostaria de ser tratado. Sempre.

A disse...

Ok, de atitudes. Opiniões não deixam de ser atitudes, de uma certa forma.
Com atitudes exageradas ou q vão de encontro com alguma coisa, é dificil não ser mal-interpretado.

Soriano disse...

Ok, entendido. Nada de opiniões ou atitudes, de agora em diante. Vou ser eu mesmo, ao meu modo. Vou viajar ao interior de mim mesmo, sem bagagens, e quero só ver com o que eu volto...

Só responderei quando me perguntarem, isso só para pessoas extremamente chegadas, como você e a Mirella. E olhe que não incluí a nossa consultora de sensualidade (hehe) nisso (sabe de quem eu falo).

Vou ter que voltar a ser frio. Não há, hoje, quem me tire isso da cabeça. Pelo menos até que as coisas voltem ao normal (se é que um dia elas assim o foram)...

Quer saber? Que se exploda...

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