19 julho 2006

Carinho do jeito errado faz mal...

Às vezes eu me pergunto porque eu sou tão carinhoso com as pessoas (mulheres) "da rua" e tão frio com os membros da minha própria família. Não sei desde quando eu me tornei assim, não me lembro direito do motivo, mas sei que isso já me trouxe problemas. Vez em quando sou mal interpretado, pessoas se aproveitam desse meu jeito de ser, ou falam mal pelas costas (por que motivo?), mas fazer o quê... Sou um cara sensível. Penso em coisas que a maioria das pessoas não pensa. Não tenho vergonha de sentir o que sinto. Por isso, tenho muito mais amigas que amigos. Isso acontece desde criança, desde os meus 12 anos de idade. E para os maldosos de plantão, eu sou heterossexual! Só não gosto de me sentir policiado pelas críticas machistas, pensamentos retrógrados e demais deficiências que reconheço em mim mesmo e em todos os homens com quem convivo. Mantenho uma amizade (de fato) com uma colega de faculdade há mais de 1 ano, e ficamos tão próximos a ponto de um adivinhar o que o outro pensa a respeito de determindadas coisas. Estudamos juntos algumas vezes, trocamos idéias sobre teorias pessoais formuladas com base nas mais variadas coisas. Tenho verdadeira afeição por ela, que tem namorado, e ciumento. O cara é uma figura mesmo, super gente fina... Começamos a passar muito tempo juntos, seja virtual ou pessoalmente. Eu, inconscientemente, acabei demonstrando minha afeição nas coisas mais sutis. Não achei que estava sendo inoportuno, indiscreto, ou algo do tipo. Algo como uma mão pela cintura, um toque no ombro de um jeito diferente, proximidade corporal, etc. Há algumas semanas atrás, ela quis conversar comigo. Disse que eu estava "tomando o seu espaço". Não entendia o significado disso, pois o tom da conversa estava sério demais. Parecia que eu era um namorado grudento, ciumento a ponto de privar-lhe a liberdade dos passos e pensamentos. Era como se eu estivesse abusando do grau de confiança adquirido, ou algo parecido. Fiquei nervoso, acuado, com medo de que eu tivesse dito ou feito algo errado, cometido alguma falta grave, afinal de contas, quando alguém lhe dá um puxão de orelha, algo está muito errado... Depois de muita conversa, cobrei-lhe franqueza absoluta. Quis saber, sem meias palavras, do que se tratava. Ela tentou me dizer sutilmente o que queria, nas entrelinhas, mas eu não o queria ver. Queria que tudo fosse o mais transparente possível. No final das contas, o resultado foi: as minhas demonstrações de carinho estavam realmente sendo inconvenientes, muito diferentes do que hoje se tem como padrão para uma amizade entre pessoas de sexos opostos. Diria ela: "Diferente não só numa amizade entre pessoas do sexo oposto, mas do mesmo sexo. Diferente até mesmo do seu padrão". Completaria: "Demonstrações de carinho têm hora e contexto certos para fluírem sem qualquer espécie de mal-entendido ou desconforto". Nunca fui de seguir padrões. Detesto ser classificado. Gosto de ser incomum, de seguir minhas próprias convicções, e não estar conscientemente atrelado a uma forma de pensamento. "É tão difícil ser eu"... Nunca gostei de esperar pra receber ou dar carinho, até porque eu esperei a minha vida toda, e tive poucas oportunidades para tal. Sinto-me estranho, preso, ao esperar por determinada deixa. Sempre achei que toda forma de carinho bem intensionada e moderada nas suas execuções cabem bem em qualquer contexto. Bem, disseram-me que eu estou errado. E talvez esteja memso... Senti o chão do meu quarto (conversávamos via internet) cair, as paredes se afastaram e ele ficou muito maior. Silêncio do lado de fora, e Home de Michael Bublé nos auto-falantes.
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Eu sempre tive poucos amigos. Sempre fui um "menino amarelo", com a cara enfiada nos livros. Sentia-me pressionado por mim mesmo a conseguir alcançar os meus próprios objetivos, estar mais próximo dos meus sonhos. Sempre me vi acuado pelas falsas amizades que sempre apareciam em época de prova na escola. Raros foram os abraços que dei, raros foram os sinceros que eu recebi. Como não tinha com quem desabafar as angústias que sentia, aliei a perseguição da diretora do colégio por melhoras na escrita (a obrigação) aos meus sentimenros (o lazer)... Nunca dividi muito os meus problemas, e nem a minha própria mãe sabe o que se passa na minha cabeça em alguns momentos. Gosto mais de escutar as pessoas falando sobre si mesmas do que abrir a boca para falar algo sobre mim. Tenho dificuldade em expressar as minhas emoções. Às vezes (raras) choro escondido no meu quarto... Namorei pouco, duas vezes, e nessas duas, nunca me senti completo. Da primeira vez, senti que a minha dedicação aos livros era um impecilho (ela tinha 20 anos, eu 16: estávamos ambos na segunda série do Ensino Médio). Da segunda vez, o problema foi o meu desejo de compromisso um pouco mais sério (eu tinha entre 19 e 20 anos, ela estava com 15). Sempre fui muito carinhoso com as duas, talvez até demais... Sou carente, não nego, e não acho que isso seja um defeito meu...
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Será que eu estou mesmo misturando as coisas? Talvez. A nossa amizade sempre foi meio "preto e branco". Quis ser menos frio, demonstrar afeto não só com palavras. Quis um pouco de carinho, algo mais que apenas um sorriso; não havia pensado em como isso seria estranho, ou no mínimo inusitado. Quis seguir o meu lema: "Dedicação é um presente que dou às pessoas de quem gosto de fato". Acabei concluindo que carinho do jeito errado faz mal... O fato é que as conversas esfriaram, os assuntos fugiram das nossas mentes por algum tempo. Tudo ficou mais frio, e ainda me sinto pisando em ovos... Tenho medo do que há por vir... "Acho que você acabou tentando mudar de uma hora para outra a sua forma de agir, e acabou tomando atitudes anti-naturais. (...) Não é se encaixar em algum padrão, é alguma característica, nova ou antiga, se encaixar em você". Vejo que pensar demais em quais atitudes tomar é, no mínimo, desperdício. Vejo que tentar agradar as pessoas que nos cercam também o é. Nunca consegui estabelecer os limiares entre os diversos níveis de afeição dentro do coração feminino. Mesmo depois de anos convivendo com seus desabafos e confidências. Tive as piores experiências ao tentar fazê-lo; traumatizado com elas, resolvi enfiar na cabeça que as mulheres pensam de um jeito, dizem de outro, sentem de um terceiro e agem de um quarto. E eu sei que estou errado. Só estou esperando que alguém me mostre a verdade...
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Não sou um cara ciumento. Ou, pelo menos, tento não ser. Acho que se alguém se predispõe a ficar comigo, é porque realmente quer. Não sou de ficar perguntando por onde e com quem anda, o que está fazendo, ligar a toda hora, bisbilhotar mensagens em celular, etc. Sempre me entrego de corpo e alma em todas as minhas relações, e muitas vezes eu acabo sofrendo muito por isso. Se elas têm "amigos coloridos", e vejo que eles são meio "saidinhos", fico na minha. Não comento nada com ninguém, nem mesmo com ela. Prefiro acreditar que é só amizade mesmo. Ela deve saber até onde eles podem avançar, e quando devem parar. Dizem que eu tenho o defeito de confiar demais em namorada... Tenho minhas teorias, e tento vivenciá-las na prática, uma validação empírica mesmo. Algumas dão certo, outras são reformuladas, adaptadas, ou até mesmo descartadas. Até agora, a minha teoria de que as pessoas são livres para estarem com quem quiserem não caiu por terra...
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Resolvi ser, de novo, o mais frio que conseguir. Quero começar do zero, de novo. Refazer todos os caminhos, desde o início, e ver o que houve de errado. Nada de expressões de alergia exacerbadas, nada de toques, de qualquer espécie. Nada de abraços ou beijos na face. Esfriar o teor das conversas, fixar o grau de intimidade em um nível seguro. Sentimentos sempre contidos. Sobriedade nas expressões faciais. Nada de expor sem censura o que se passa em minha cabeça: já me disseram que eu sou estranho, esquisito (whisky, o whiskysito - pra galera do CEFET-BA). Estou sendo radical? Com certeza... Tudo em que eu acredito a cerca disso está errado? Talvez... Eu queria, no fundo, ser apenas compreensível...
Comentários
1 Comentários

1 comments:

A disse...

Vc sabe aquela expressão, do amigo arroz?

Bem, pelo q vi, vc não parece ser um. Mas, sem querer, acabou dando motivos pro namorado dela achar q era.

Acho q vc nao precisa se fechar de novo, apenas agir naturalmente (pois pelo q eu entendi, ela tbm acha isso).

Já anda tão dificil agente papear um pouco, quem dirá ter um amigo com quem se possa contar e/ou desabafar e/ou falar besteira.

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