22 agosto 2006

Mal entendidos

O conselho que eu, do alto dos meus 21 anos de idade, tenho pra dar a vocês é: usem filtro solar. Esse é o melhor conselho que já inventaram... Mas falando sério, vocês sabem que eu não gosto de dar conselhos. Esse texto que eu agora vos escrevo vem a tratar de algo extremamente desagradável: procurem não usar frases fora de ou não amarradas a um contexto. Sempre amarrem muito bem as suas frases, para não dar margem a más interpretações. Estava eu há três dias atrás conversando sobre sexo com uma amiga via mensageiro instantâneo, e quais cuidados se deve ter ao falar disso via este meio de comunicação. Naquela noite, ela havia me mandado um log de uma conversa dela com um outro homem via mensageiro instantâneo, e este homem possuia uma webcam. Bem, acho que eu não preciso entrar em maiores detalhes, mas o que importa enfatizar aqui é que ela é um pouquinho distraída, e as consequências daquela conversa me pareceram (ao final das contas) acidentais. Pois bem. Iniciamos uma conversa a cerca do ocorrido, discutindo questões de sexualidade, de como conversas sobre sexo deveriam ser interpretadas dentro da Internet, com pessoas estranhas, de como as pessoas deveriam se portar (segundo o seu grau de envolvimento e desejo), etc. Expliquei tudo o que eu achava, com o cuidado de não personificar as coisas, de não tomar parâmetros pessoas, e sim anlisar as coisas do modo mais racional possível. Fizemos alguns testes práticos, para tentarmos reconhecer o limiar entre a brincadeira sadia (pura molecagem, ou a dita putaria de bom gosto) e o que se costuma chamar de sexo virtual. Foi extremamente difícil emular esse tipo de situação, já que ela tinha (ou melhor, tem) namorado e eu deveria me comportar como alguém que desejasse excitá-la. Pude perceber que ela é extremamente distraída, que se deixou levar além da conta muitas vezes, embora as condições não eram as ideais (ela me conhece pessoalmente - não sou um amigo virtual -, confidencia-me diversas coisas, possui um grau elevado de confiança em mim, etc). No dia seguinte, as coisas se complicariam... Eu quis entender que grau de satisfação as pessoas tinham em usar fake profiles e resolvi criar um para experimentar. Entrei na comunidade Refugiados EPER no Orkut sob um pseudônimo que não vem ao caso citar, e comecei a conversar com as pessoas que lá estavam, homens e mulheres. Comportei-me como normalmente me comporto, exceto pelo fato de confessar algumas poucas coisas sobre mim (e antes que pensem besteira: sou heterossexual!). Logo percebi que algumas mulheres se interessaram pelo meu perfil, e queriam uma conversa um pouco mais privada, via o tal mensageiro instantâneo. Algumas horas depois, essa minha amiga se conecta à rede, e eu lhe digo: "usando o meu fake profile como arma de sedução". Note que esta foi a frase fora de contexto. Alguns minutos depois, eu lhe digo "passe lá que Fulana e Beltrana estão me dando o maior ibope", e ela responde "eu sabia que você, do jeitio que é, iria ficar famoso lá". Domingo passado, por volta das 22h, eu já estava novamente conversando com essas mulheres, quando a minha amiga se conecta de novo. Disse eu que não poderia demorar, pois já era tarde e eu acordaria cedo (às 5:15, diariamente) para ir à faculdade, e ela me manda esperar. Disse que tinha algumas coisas a me dizer. Simplesmente me disse coisas que me feriram fundo, e eu não entendia o porquê. Era como se eu estivesse realmente a fim de fazê-la infeliz, de estragar a sua vida amorosa. Era como se eu estivesse abusando da sua confiança, usando dados ditos confidenciais contra ela. Eu teria violado algum dos seus códigos de boa conduta numa amizade num nível como a nossa. Mas eu não sabia do que se tratava. Fiquei muito assustado... As coisas começaram a se tornar mais nítidas quando ela disse que eu havia dito alguma coisa no sábado, durante aquela conversa virtual. "Será que eu disse alguma coisa que não devia?", pensei de imediato. Ela me perguntou se eu não lembrava do que eu havia dito, e eu, como era verdade, disse que não. Alguns segundos depois (pra falar a verdade, quase meio minuto), ela escreve uma frase, tirada de seus arquivos de log, na tela: "(ip) (...) .:. Um poço de carência (i) diz: usando meu fake profile como arma de sedução". A ficha caiu, então. Ela havia pensado que eu estava querendo seduzí-la, que aquelas simulações de conversas sobre sexo não eram puras simulações, que havia enésimas intenções da minha parte. Passei os próximos 30 minutos tentando convencê-la de que tudo não passava de um mal entendido, mencionei a quais mulheres me referia, e ela não me pareceu convencida atéa hora em que eu me desconectei. Na verdade, conversamos sobre isso ontem (segunda-feira), e ela ainda não me parece convencida. Depois daquela discussão, eu simplesmente apaguei todos os e-mails dela (usados comumente e os usados para o fake profile dela), pois não queria correr o risco de ser mal interpretado pela terceira vez (sim, isso já aconteceu antes). Bloqueá-la seria demais (assim ela não poderia falar comigo se quisesse). Pouco falei com ela ontem, eu não estava me sentindo bem com aquilo tudo. Ainda não estou... Acho que ela vai acabar lendo isso. Como sempre, já que ela é a única que lê o que eu escrevo... Preciso tomar mais cuidado com o que eu digo, com o que escrevo, com o que faço... Por mais boas intenções que eu tenha, volta e meia eu sou mal interpretado. Agora, mais do que nunca, eu sei que palavras possuem sim efeitos colaterais... Veja Também: O que é um log? O que é sexo virtual? Fake ou não fake Carinho do jeito errado faz mal Palavras e seus efeitos colaterais
Comentários
1 Comentários

1 comments:

T disse...

Esse foi o mal entendido mais chato, porém mais hilário, q eu já passei.

"eu estava querendo seduzí-la, que aquelas simulações de conversas sobre sexo não eram puras simulações, que havia enésimas intenções da minha parte."
eu pensei q vc disse q EU estava usando o MEU fake como arma de sedução. Ou vc acha q eu me acho tanto assim? kkkkk


Olhe só a peça q meu cérebro me pregou:

Vc entrou naquele dia;
eu li a frase (o bloco) inteiro de uma vez;
depois continuei conversando normalmente;
falei q vc realmente ia ficar famoso;
depois eu lembrei: "epa! arma de sedução?! Como assim?";
acho q reli a frase e ainda assim nao enxerguei a palavra "meu";
e achei q vc tava falando de mim!
Fui conversar/reclamar com vc;
vc tbm nao entendeu q eu estava decepcionada q vc fizesse aquele julgamento sobre MIM.


RESULTADO: Que confusão dos diabos, hein. ;)
Vamos desembaçar os olhos antes de começar a escrever.

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